Educação Pré-Escolar

A Educação Pré-Escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida, sendo esta complementar da ação educativa da família. A Escola deve estabelecer estreita cooperação com as famílias, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário.

As aprendizagens na Educação Pré-Escolar, neste Estabelecimento de Ensino, carateriza-se pelo conjunto das atividades que os alunos/crianças realizam ao longo do ano letivo  e o modo como estão organizadas, tendo em conta os seguintes documentos estruturantes e orientadores que consagram a ação educativa:

  • O Currículo Nacional;
  • O Regulamento Interno da Escola;
  • O Projeto Educativo
  • O Projeto Curricular de Escola
  • O Projeto Curricular de Turma
  • E o Plano Anual de Atividades

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FUNDAMENTAÇÃO 

O Externato Passos Manuel, enquanto instituição de ensino, decidiu abordar a temática, no Projeto Curricular de Escola (PCE) “Viajar sem sair do lugar”, tendo como premissa a flexibilidade curricular. Centrando a sua abordagem na exploração de diferentes tipos de culturas, propõe-se a incentivar a comunidade educativa a partilhar momentos e vivências dos diversos países a conhecer.

Nos princípios gerais das OCEPE (1997) e nas orientações curriculares para a educação pré-escolar estão consignados alguns dos objetivos da educação Pré-Escolar numa perspetiva de educação para a cidadania, sendo eles:

– Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências de vida democrática numa perspetiva de educação para a cidadania;

– Fomentar a inserção das crianças em grupos sociais diversos no respeito pela pluralidade de culturas;

-Incutir comportamentos que favoreçam aprendizagens significativas e diferenciadas;

 -Despertar o pensamento crítico;

 -Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações de efetiva colaboração com a comunidade.

Sendo a Multiculturalidade o tema do projeto curricular de escola onde é realizada a minha prática pedagógica e tendo crianças em sala cujos pais são de várias nacionalidades, decidi desenvolver mais aprofundadamente esta temática, tendo como objetivo explorar os diferentes tipos de culturas de forma a demonstrar às crianças as diferenças étnicas e culturais que existem entre pessoas e que as devem respeitar. As atividades centraram-se na exploração, especificando alguns países explorando as suas características, nomeadamente a gastronomia, a língua, a habitação e o vestuário.

“Conseguirão as crianças identificar os diferentes tipos de culturas e algumas características das mesmas?”

Ao criar para o presente ano letivo o Projeto Curricular de Sala “De mãos dadas vamos viajar”, pretendo abordar o património cultural de cada país numa perspetiva de bem social. Trata-se de uma proposta de trabalho a ser desenvolvida por todos os intervenientes da comunidade educativa, com o propósito de promover a multiculturalidade

De modo a responder a esta questão foi concebido um objetivo principal, sendo este a realização de atividades de modo a que as crianças percebam que existem diferenças entre pessoas de diferentes etnias e saber respeitá-las.

Neste percurso, pretendo que cada criança encontre desafios novos que lhe permitam ser capaz de conhecer o mundo, tornando-se assim mais autónoma e confiante.

 A Escola, enquanto espaço educativo, tem como missão desenvolver práticas interativas e interdisciplinares, que promovam na criança o SER, o SABER e o AGIR. Por considerarmos a experimentação uma parte fundamental do percurso de aprendizagem, identificamo-nos com a metodologia de High/Scope, Montessori e Movimento da escola moderna. A aprendizagem ativa será uma componente prioritária na nossa prática educativa, uma vez que:

Através da aprendizagem pela acção – viver experiências directas e imediatas e retirar delas significado através da reflexão – as crianças (…) constroem o conhecimento que as ajuda a dar sentido ao mundo. (Hohmann & Weikart, 1995, p.5).

Através destas metodologias, assentes num processo de “planear-fazer-rever”, as crianças desenvolvem atitudes de interesse, curiosidade, iniciativa, independência e responsabilidade. Com o apoio do adulto, que lhe proporciona momentos de experiência-chave, constroem a sua própria compreensão do mundo e adquirem um sentido de autoconfiança e autorregulação.

 

FINALIDADE

Neste Mundo coabitamos com outras culturas, outros povos, outros seres. Somos diferentes de cada um, iguais a nós mesmos, crescemos, portanto, em contacto com outros “mundos”.

Partindo desta visão, pretendemos que o nosso projeto de sala desenvolva a criança global e equilibradamente nos campos: cognitivo, socioeducativo, psicomotor e cultural.

Assim, procuramos que a criança se sinta parte da comunidade e que a sua integração seja feita de forma simples, facilitando o processo de aprendizagem e o seu sucesso pessoal.

Objetivos Gerais do Pré-Escolar

O nosso projeto está de acordo com o princípio geral da lei quadro da educação pré-escolar que diz o seguinte:

            “A educação pré-escolar é a primeira ao longo da vida, sendo complementar da ação educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita relação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção da sociedade como ser autónomo, livre e solidário.”

 

METAS DE APRENDIZAGEM PARA A EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

“A definição de metas finais para a educação pré-escolar contribui para esclarecer e explicitar as «condições favoráveis para o sucesso escolar» indicadas nas Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, facultando um referencial comum que será útil aos educadores de infância, para planearem processos, estratégias e modos de progressão, de forma a que todas as crianças possam ter realizado essas aprendizagens antes de entrarem para o 1º ciclo” (Metas de Aprendizagem para a Educação Pré-Escolar).

 

ÁREA DE FORMAÇÃO PESSOAL E SOCIAL:

Esta área diz respeito à forma como a criança se relaciona consigo própria, com os outros e com o mundo.

A educação pré-escolar, deve favorecer a formação da criança como ser autónomo, livre e solidário. Desempenha ainda um papel importante na educação para os valores espirituais, estéticos, morais e cívicos.

Estes valores não se “ensinam”, “vivem-se” na ação conjunta e nas relações com os outros.

 

OBJETIVOS:

  – Possibilitar que a criança interaja com diferentes valores e perspetivas, favorecendo a tomada de consciência de si e do grupo;

             – Organizar um ambiente relacional securizante, contribuindo para o bem-estar e autoestima da criança;

– Estimular a autonomia da criança e do grupo, assente na aquisição do saber- fazer indispensável à sua independência e necessário a uma maior autonomia;

– Proporcionar ocasiões de vivência de valores democráticos.

ÁREA DE EXPRESSÃO E COMUNICAÇÃO:

Esta é uma área que engloba as aprendizagens do desenvolvimento psicomotor e simbólico, que por sua vez determinam a compreensão e o progressivo domínio das formas de linguagem.

OBJETIVOS:

– Organizar um ambiente de estimulação comunicativa, proporcionando a cada criança oportunidades específicas de interação com os adultos e com as outras crianças;

– Promover o desenvolvimento da linguagem oral de todas as crianças, atendendo, de modo particular, às que manifestam dificuldades específicas;

– Favorecer o aparecimento de comportamentos emergentes de leitura e escrita, através de atividades de exploração de materiais escritos;

– Favorecer o aparecimento de comportamos emergentes do pensamento lógico- matemático, através de atividades de exploração e a partir de situações do quotidiano, intencionalizando momentos de consolidação e sistematização de noções matemáticas;

– Promover, de forma integrada, diferentes tipos de expressão (plástica, musical, dramática e motora) inserindo-os nas várias experiências de aprendizagem curricular;

– Organizar atividades e projetos que, nos domínios do jogo simbólico e do jogo dramático, permitam a expressão e o desenvolvimento motor, de forma a desenvolver a capacidade narrativa e a comunicação verbal e não-verbal.

ÁREA DO CONHECIMENTO DO MUNDO:

Esta área enraíza-se na curiosidade da criança, no seu desejo de saber, compreender o porquê. Deve proporcionar aprendizagens pertinentes com significado para as crianças.

Independentemente dos temas abordados e do seu desenvolvimento, os aspetos mais importantes desta área devem estar relacionados com os processos de aprender, da capacidade de observar, desejo de experimentar, curiosidade de saber, atitude crítica.

 

OBJETIVOS:

– Proporcionar ocasiões de observação de fenómenos da natureza e de acontecimentos sociais que favoreçam o confronto de interpretações, a inserção da criança no seu contexto, o desenvolvimento de atitudes de rigor e de comportamentos de respeito pelo ambiente e pelas identidades culturais;

– Criar oportunidades para a exploração das quantidades, com recurso à comparação e estimativa e à utilização de sistemas convencionais e de processos não convencionais de numeração e medida;

– Estimular, nas crianças, a curiosidade e a capacidade de identificar características das vertentes natural e social da realidade envolvente;

– Promover a capacidade de organização temporal, espacial e lógica de observações, fatos e acontecimentos;

– Despertar o interesse pelas tradições da comunidade, organizando atividades adequadas para o efeito.

 

Em termos de estratégias pedagógicas, perspetivamos a nossa ação educativa numa lógica de articulação de sabores entre as diferentes áreas de conteúdo a desenvolver.

 Enfatizaremos conteúdos transversais e a abordagem globalizante.

Orientaremos a nossa intervenção no sentido de permitir o desenvolvimento de projetos pedagógicos complexos, que se articulam entre si, que ampliem os saberes das crianças, impliquem um conjunto diversificado de oportunidades de aprendizagem e integram a abordagem de diferentes áreas de conteúdo.

Para a construção progressiva do projeto pedagógico daremos prioridade à participação e partilha do poder e à decisão em conjunto na procura de novos saberes.

Tentaremos potenciar atividades com recurso às novas tecnologias de informação e comunicação, por ser um domínio em que as crianças manifestam muito interesse e, particularmente as mais velhas, competências.

 Por fim, daremos ainda ênfase ás visitas de estudo, saídas pelo exterior, sempre que se revelem como formas de enriquecimento do nosso projeto pedagógico.

Ação a desenvolver com os encarregados de educação

As relações que pretendemos estabelecer com as famílias assumem diferentes formas:

– Atendimento formal e individualizado aos pais e encarregados de educação, para partilha de informação e discussão de problemas educativos;

– Trocas de informação informais (recados);

– Divulgação do Projeto Educativo de Escola e do Projeto Curricular de Sala;

– Exposição dos trabalhos e aprendizagens das crianças;

– Partilha de apetências e saberes dos pais e parceiros sociais, enquanto contributos para uma participação ativa, nas experiências de aprendizagem das crianças.

Entendemos que esta relação organizacional, que implica coletivamente os pais, se deve estabelecer através da sua participação:

– No Projeto Educativo de Escola;

– No Projeto Curricular de Sala;

– Em atividades do Plano Anual de Atividades;

– No desenvolvimento dos projetos da sala.

 

Este apelo à participação dos pais e encarregados de educação é feito desde a reunião de arranque do ano letivo, ao solicitar que estes colaborem ativamente nas atividades do jardim-de-infância, quer através das reuniões a realizar durante o ano letivo, como nas propostas feitas e a fazer pela educadora ou através da dinamização de projetos e atividades que venham a pressupor o envolvimento da comunidade educativa.

 

Ação a desenvolver com o 1º Ciclo

                 No sentido de facilitar a continuidade educativa em relação à transição para o 1º Ciclo é nossa intenção:

– Proporcionar momentos de diálogo envolvendo docentes, para a troca de informações dobre como se faz e se aprende no jardim-de-infância e na escola do 1º CEB;

– Planificar e desenvolver projetos/atividades comuns com os professores e os alunos do 1º ciclo, a realizar ao longo do ano letivo, em assuntos importantes para a vida humana e social e temas ou acontecimentos de vida social. Estas atividades devem envolver e implicar o jardim-de-infância e o 1º Ciclo;

– Organizar os registos de observação e evidências de aprendizagem em dossiers próprios;

– Organizar visitas guiadas às salas do 1º Ciclo, para conhecimento da dinâmica e do funcionamento das salas;

– Organizar um dia numa sala de aula do 1º ano (no 3º período).

 

PERFIL DA CRIANÇA NO FINAL DO PRÉ-ESCOLAR 

Uma educação pré-escolar de qualidade dever ter proporcionado à criança um conjunto de ferramentas que lhe permitirão iniciar o 1ºciclo com sucesso.

            “Distinguem-se três tipos de condições: as que dizem respeito ao comportamento da criança no grupo, as que implicam determinadas aquisições indispensáveis para a aprendizagem formal da leitura, escrita e matemática e as que se relacionam com as atitudes”. (Cit: Orientações Curriculares para educação pré-escolar. P.90)

 

Ao nível do comportamento – Ser capaz de se integrar no quotidiano do grupo;

– Ser capaz de aceitar e cumprir as regras de convivência e de vida social;

– Saber escutar e esperar pela sua vez de falar;

– Compreender e seguir orientações e ordens;

– Tomar iniciativas próprias sem perturbar o grupo;

– Ser capaz de terminar tarefas.

Ao nível das aprendizagens – Ter evoluído no domínio da compreensão e da comunicação oral;

– Ter tomado consciência das diferentes funções da escrita, da correspondência entre o código oral e escrito;

– Ter realizado competências básicas ao nível da matemática adquirindo as noções de espaço e de tempo e de quantidade.

Ao nível das atitudes – Ter favorecido a curiosidade e o desejo de aprender;

– Criar atitudes positivas face à escola. 

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Formação de grupos heterogéneos

A formação de grupos heterogéneos permite “(…) enriquecer a aprendizagem social e cognitiva das crianças, criando uma zona de capacitação que vai para além do que a criança é capaz de fazer sozinha, incluindo atividades que pode realizar com sucesso com a ajuda do educador e colegas, num grupo inclusivo e diversificado”(Niza, 1992, em Folque, 2012, p. 53).

  • Grupos heterogéneos
  • Grupos heterogéneos em função da idade, género, etnia, cultura e conhecimento
  • A idade não é indicador de aquisições
  • A diversidade de contactos interpessoais conduz a uma maior coesão do grupo
  • Promoção da troca e confronto de opiniões e a partilha de experiências
  • Os saberes e interesses das crianças não dependem apenas da idade.

Benefícios da formação de grupos heterogéneos

Cooperação e Partilha

  • As crianças mais autónomas ajudam, ensinam e acompanham as outras a realizar tarefas e atividades;
  • As crianças empenham-se na realização de aprendizagens mais complexas, valorizando o seu sucesso;
  • O trabalho de equipa pressupõe que os desejos, interesses e necessidades das crianças possam ser respondidos individualmente ou em pequenos grupos;
  • Existe uma interação dinâmica, na qual o espírito colaborativo substitui o competitivo;
  • Promove as competências comunicativas das crianças, por meio da interação e observação do meio que as rodeia;
  • As crianças alteram a sua atitude/comportamento ao nível da expressão verbal de acordo com a idade das pessoas com que estão a interagir.

As crianças mais jovens vêm às crianças mais velhas como sendo capaz de contribuir com alguma coisa, enquanto as crianças mais velhas vêm as mais novas como alguém que necessita da sua ajuda. Assim, num grupo heterogéneo, estas conceções das crianças acabam por fomentar um ambiente de cooperação que traz vantagens para as crianças e para os educadores (Katz, 1995).

 

NOTAS FINAIS

O documento aqui apresentado é uma parte do PCS (Projeto Curricular de Sala) da Educação Pré-Escolar. O documento completo encontra-se afixado na Escola.

Não se pretende que a educação pré-escolar se centre na escolaridade obrigatória. No entanto, o trabalho desenvolvido no jardim de infância deve despertar nas crianças a curiosidade e o desejo de aprender, confiantes que só tem sucesso educativo quem está motivado e tem esse prazer em aprender.

O envolvimento presente e ativo de todos: crianças, família, escola é fundamental para que se consiga criar um ambiente educativo acolhedor. Para isso é importante que todas as vozes se façam ouvir através de uma colaboração constante e permanente.

Em conjunto vamos tentar que as crianças se sintam bem, alegres e participativas no mundo que as rodeia.